Diversos

Sistemas Integrados de Produção em
Terras Baixas

Conheça um pouco mais desta ação multinstitucional de fomento à diversificação na Metade Sul do Rio Grande do Sul.

Histórico e Pesquisadores Envolvidos

O protocolo experimental intitulado "Sistemas Integrados de Produção Agropecuária em Terras Baixas" é uma iniciativa de natureza público-privada recentemente iniciada (março de 2013) e de longa duração, que aborda sistemas de produção agrícola (arroz irrigado, soja e milho) e pecuária (de corte) em terras baixas.

A elaboração do experimento teve início em 2011 e sua formatação foi planejada por pesquisadores de diferentes áreas e formações acadêmicas, que compõem o comitê de responsabilidade técnica do ensaio:

Eng. Agr. Felipe de Campos Carmona
Dr. em Ciência do Solo (Integrar, UFRGS - PPG Zootecnia)

Eng. Agr. Ibanor Anghinoni
PhD em Ciência do Solo (UFRGS - PPG Ciência do Solo)

Zootecnista Paulo Cesar de Faccio Carvalho
Dr. em Zootecnia (UFRGS - PPG Zootecnia)

Méd. Vet. Danilo Menezes Sant´Anna
Dr. em Zootecnia (Embrapa Pecuária Sul)

Eng. Agr. Jamir Luis Silva da Silva
Dr. em Zootecnia (Embrapa Clima Temperado)

Zootecnista Davi Teixeira dos Santos
Dr. em Zootecnia (Serviço de Inteligência em Agronegócios)

Eng. Agr. Paulo Regis Ferreira da Silva
PhD em Agronomia (PPG Fitotecnia / Consultor IRGA).

O Eng. Agr. Roberto Longaray Jaeger, ex-extensionista do IRGA, foi o responsável pela aproximação do comitê junto à Fazenda, e atualmente continua participando ativamente em atividades relacionadas ao dia-a-dia do experimento.

Recentemente, em agosto de 2014, se agregou ao comitê de responsabilidade técnica o Eng. Agr. MSc. Filipe Selau Carlos, pesquisador do IRGA. No momento, o protocolo conta com dois estudantes de doutorado, um de mestrado, além de três estudantes de iniciação científica e um estagiário.

Qualificação da Temática Abordada

Os sistemas de produção agropecuária em estudo envolvem as variáveis diversidade e intensidade de modo a representar modelos de produção para os diferentes cenários nas terras baixas do Rio Grande do Sul. Tais modelos de exploração têm potencial de aplicação em mais de três milhões de hectares desse ambiente, ocupados predominantemente com pecuária extensiva e arroz irrigado.

O principal foco científico deste projeto está em estudar e explorar sinergismos e propriedades emergentes, frutos de interações nos compartimentos solo-planta-animal-atmosfera de áreas que integram atividades de produção agrícola e de pecuária continuadas no tempo. Assim, ao longo do trabalho serão desenvolvidas diversas ações nas temáticas que envolvem as relações solo, máquina, manejo de plantas forrageiras, produção e comportamento animal, manejo e produção de grãos, características e propriedades do solo e produção e rendimento econômico do sistema, com o gerenciamento dos pesquisadores envolvidos. Espera-se, com a continuidade do projeto, exercitar uma abordagem multi-interdisciplinar no uso das tecnologias de manejo de sistemas de integração lavoura-pecuária dentro do preceito conservacionista (sistema plantio direto) e que seja economicamente viável e sustentável no tempo.

HIPÓTESE GERAL

O estabelecimento de pastagens para inserção da atividade pecuária em áreas de cultivo de arroz constitui alternativa para agregar ao sistema atributos de sustentabilidade biológica e econômica, com base em princípios de produção integrada, tais como ciclagem de nutrientes, controle de plantas invasoras, eficiência do uso de insumos e complementariedade de renda.

OBJETIVOS GERAIS

1) Fomentar a diversificação de culturas em sistemas integrados de produção agrícola e pecuária em manejos conservacionistas de uso do solo em áreas historicamente destinadas ao cultivo de arroz, com a introdução de soja, milho, capim sudão, forrageiras de inverno e pecuária de corte no contexto das propriedades rurais na metade sul do Rio Grande do Sul;

2) Gerar informações que garantam a sustentabilidade econômica, ambiental e cultural da atividade orizícola no Rio Grande do Sul, decorrentes de novos conceitos de produção, onde o arroz passe a fazer parte de um sistema produtivo diversificado;

3) Valorizar o conhecimento científico através de publicações de diversas naturezas, abrangência e qualidade, nacionais e no exterior, associado à formação de recursos humanos em seus diferentes níveis: iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, assim como a capacitação de profissionais para a difusão e transferência das tecnologias geradas ao longo do tempo.

O experimento está sendo conduzido em área pertencente à Fazenda Corticeiras, localizada no município de Cristal, RS. O solo é classificado como Planossolo Háplico distrófico típico, com relevo plano a suavemente ondulado. A área experimental tem 18 ha.

São testados cinco tratamentos, distribuídos num delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições, de acordo com as características dos modelos vigentes de produção em terras baixas no Rio Grande do Sul. O Quadro 1 ilustra a distribuição espaço temporal dos tratamentos na primeira fase do projeto, entre os anos de 2013 e 2016 e a Figura 1 mostra o delineamento dos tratamentos na área de 18 hectares.

Quadro 1. Distribuição espaço-temporal dos tratamentos na primeira fase do projeto (2013-2016).

Figura 1. Alocação dos tratamentos, porteiras, fios elétricos, de arame e
tramas; canais, drenos ruas e taipas na área experimental.

O pastejo é realizado pelo método contínuo com lotação variável, composto por três animais teste por unidade experimental e por animais reguladores que entram e saem da pastagem. O pastejo inicia no momento em que a altura da pastagem é de aproximadamente 20 cm, em média (em torno de 1.500 kg de matéria seca ha-1), e se estende até meados de outubro de cada ano. São utilizados animais jovens recém-desmamados com 10 meses de idade média, machos castrados de 170 kg de peso vivo, aproximadamente (Figura 2). No dia imediatamente anterior ao início dos pastejos, os animais são pesados após jejum prévio de 15 horas, vermifugados e identificados com brincos.

Figura 2. Parcelas separadas por cerca elétrica, com três animais teste e dois animais reguladores.
Cristal, RS, junho de 2013.

Na primeira fase do protocolo experimental (2013 a 2016), as culturas de verão são manejadas de acordo com as mais recentes recomendações técnicas da pesquisa, quais sejam: arroz - SOSBAI (2012); milho e sorgo - Indicações Técnicas...(2011) e soja - Indicações Técnicas...(2012).
Durante o ciclo de pastejo, gaiolas de exclusão são alocadas nas parcelas (Figura 3). As plantas preservadas do pastejo têm sua parte aérea cortada rente ao solo, em quatro áreas representativas de 0,25 m2, dentro de cada parcela. Após secagem a 50ºC até peso constante, é determinado o peso da matéria seca do material.

Figura 3. Ilustração do bastão graduado "Sward Stick", para medição da
altura da pastagem dentro de gaiola de exclusão.
Cristal, RS, junho de 2013.

Principais contribuições científicas e tecnológicas da proposta

Espera-se, com este projeto, subsidiar os produtores rurais da metade sul do Rio Grande do Sul na adoção de sistemas integrados de produção agropecuária, a partir de recomendações específicas para esses sistemas. Uma vez consolidados, esses resultados serão transferidos ao setor produtivo com vista à sua implantação gradativa, ao menos em parte dos mais de dois milhões de hectares que permanecem em pousio ou pastejo extensivo no inverno. Isto possibilitará diversificação de renda e consumo menos intensivo de insumos, pois se entende que as atividades de lavoura (grãos) e de pecuária desenvolvidas de forma isolada são sustentáveis em um determinado espaço de tempo, mas não se perpetuam, uma vez que ambas são cíclicas, sendo o cenário ora mais favorável para o pecuarista, ora favorável ao agricultor.

O entendimento dos fatores que controlam a ciclagem de nutrientes fornece subsídios à definição da sincronia entre a sua disponibilização pelos seus diversos compartimentos (solo, biomassa remanescente das culturas e excreta dos animais) com a demanda da cultura sucessora e, a partir disso, determina a quantidade necessária e a melhor época de sua aplicação dentro do ciclo de produção, constituindo-se no embasamento e na lógica do que se denomina adubação de cultura, uma quebra de paradigma ao conceito químico-mineralista da Fertilidade d Solo.

O caráter sistêmico do protocolo proposto apresenta amplas possibilidades de exploração. A exemplo do que ocorre em outros experimentos dessa natureza, em realização pelo Grupo de Pesquisa em Integração Lavoura-Pecuária liderados pela UFRGS, espera-se que este protocolo experimental atraia pesquisadores e estudantes não apenas do Rio Grande do Sul, mas também de outros regiões do Brasil e do Conesul.

Transferência de Tecnologia

O público alvo do protocolo experimental é bastante diverso e inclui produtores rurais, consultores autônomos, agentes públicos de difusão, estudantes e colaboradores de cooperativas e empresas privadas.

Está prevista a realização de dois dias de campo anuais no experimento, no inverno e verão, de modo que o público alvo possa visualizar, da melhor forma possível, o planejamento e execução dos sistemas integrados propostos. Em setembro de 2013, foi realizado evento piloto, para um público aproximado de 70 pessoas. No dia 06/08/14, foi realizado o II Dia de Campo de Inverno, que contou com a presença de 350 pessoas (Figuras 4 a 8).

Figura 4. Visão geral das estações técnicas e participação do público.

Figura 5. Estação 1 - Sistemas de produção para a várzea, resultados das lavouras de verão; o plantio direto como alicerce de sistemas integrados (Felipe Carmona e Ibanor Anghinoni - Integrar, UFRGS).

Figura 6. Estação 2 - Produção forrageira e desempenho animal no período 2013/14; o animal como catalisador de processos em sistemas integrados (Thiago Barros e Paulo C. F. Carvalho - Integrar, UFRGS).

Figura 7. Estação 3 - Manejo das espécies forrageiras no experimento e aplicações práticas na Fazenda (Danilo M. Sant´Anna - Embrapa CPPSul).

Figura 8. Estação 4 - O protocolo experimental no contexto do Programa ABC (Davi Teixeira e Jamir L. S. Silva - SIA, Embrapa CPACT).

O protocolo experimental em tela conta com a colaboração de empresas cujas tecnologias comercializadas disponibilizem soluções para a implementação, em nível de propriedade rural, dos sistemas de integração lavoura pecuária. Nesse sentido, até o momento três empresas colaboram para a viabilização do projeto (Figura 9).

Figura 9. Placa instalada na porteira de entrada do experimento, indicando as instituições/empresas que constituem o comitê de responsabilidade técnica, assim como as empresas parceiras do projeto.

PERSPECTIVAS FUTURAS

O caráter sistêmico do protocolo proposto apresenta amplas possibilidades de exploração. A exemplo do que ocorre em outros experimentos dessa natureza, em realização pelo Grupo de Pesquisa em Integração Lavoura-Pecuária liderados pela UFRGS, espera-se que este protocolo experimental atraia pesquisadores e estudantes não apenas do Rio Grande do Sul, mas também de outras regiões do Brasil e do Conesul..